Políticos ainda não sabem publicar no Twitter



Autor(es): » Juliana Braga » Diego Abreu
Correio Braziliense - 07/04/2012

Políticos ainda não sabem publicar no microblog dentro das novas regras do TSE, que proibiu campanha eleitoral por meio da rede social

Após ter seu uso restringido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Twitter continua sendo usado por pré-candidatos sem o devido cuidado. A sentença do TSE de 20 de março definiu que até mesmo as manifestações em que não são pedidos votos diretamente para alguém são consideradas campanha eleitoral, bastando que o conteúdo favoreça algum possível candidato. Qualquer campanha, pela lei, não pode começar ser veiculada antes de 5 de julho. Na prática, a interpretação do TSE tornou ainda mais complicado o cenário pré-eleitoral.
"Segundo a atual composição do TSE, a fim de se verificar a existência de propaganda eleitoral antecipada, especialmente em sua forma dissimulada, é necessário examinar todo o contexto em que se deram os fatos, não devendo ser observado apenas o texto da mensagem, mas também outras circunstâncias, como imagens, fotografias, meios, número e alcance da divulgação", avalia a advogada especializada em direito eleitoral Cristiane Britto. O entendimento da Corte, portanto, torna subjetivo o que pode ou não na esfera virtual.
Em linhas gerais, é vetado mencionar candidatura ou cargo ao qual o usuário do Twitter pretende se eleger. As inaugurações de obras podem ser citadas, desde que no evento não haja menção a quem seria seu candidato, quem merece seu apoio ou quem é melhor que os demais. Realizações do governo apenas são proibidas depois que começa o período de campanha, por configurar abuso do uso da máquina pública.
Segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, que também é magistrado do TSE, os pré-candidatos devem ficar atentos até 5 de julho às regras que proíbem a propaganda eleitoral antecipada. Segundo ele, da mesma forma que a lei proíbe o envio de "uma cartinha" para eleitores, há também o veto à promoção de políticos pela internet, em qualquer rede social. O ministro Marcelo Ribeiro, do TSE, alerta que, além da propaganda positiva, os pré-candidatos devem ficar atentos em relação aos ataques contra adversários. "Críticas a opositores, se forem vinculadas à eleição, são consideradas propaganda eleitoral negativa", observa.
A decisão deve ser avaliada pelo STF, que julgará uma representação que o PPS impetrou na Corte. A expectativa do presidente da legenda, Roberto Freire, é de que o STF derrube a sentença. "Eu espero que o Supremo rapidamente desfaça tudo isso, até para o bom nome da Justiça brasileira", defendeu.

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